quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008

Sua Santidade se pronuncia

Nota oficial do CC, na figura de seu líder supremo, o inabalável senhor dos povos, Ióssif Vissariónovich Djugashvíli.

Movimento da Esquerda Botequeira
Comunicado Oficial do Comitê Central sobre o levante dos dias 22 e 23 de fevereiro


Ióssif Vissariónovich Djugashvíli
Senhor dos povos supremo
Fundador do MEB
Santidade Teórica
Dono do pedaço


Camaradas,

Em nome do CC do MEB, eu, Ióssif Vissariónovich Djugashvíli, membro presente na assembléia de fundação deste movimento, venho a público ressaltar a posição oficial deste comitê em relação ao levante ocorrido quase que ininterruptamente entre os dias 22 e 23 de fevereiro do corrente ano.

Em primeiro lugar, o CC do MEB reconhece os esforços revolucionários dos camaradas presentes nas linhas de combate. Tais camaradas cumpriram com seu papel de cachaceiros revolucionários e honraram, acima de tudo, o estatuto mebiano.

No que se refere à ação desencadeada, a auto-crítica é fundamental. Partindo do princípio de que somos materialistas dialéticos, não custa lembrar que “tudo é causa econômica”. Dessa forma o CC condena a ação posterior, ocorrida no dia 23. Apesar dos ganhos significativos do levante, essa autoridade do Comitê só foi avisada às zero hora do dia 24, oportunidade que descansava merecidamente no Kremlin. É irresponsável, portanto, a ação sem disciplina e sem direção efetiva. Os ganhos foram consubstanciais, não permanentes, porém (basta que se verifique como o freezer do Sob Medida já está abarrotado novamente de cervejas).

Como todos sabem, sempre defendi a linha de que a cerveja e os demais líquidos lícitos já prejudiciais ao proletariado. Devem, portanto, ser consumidos de forma animalesca por essa direção. Um líder real é aquele que defende seu rebanho dos males, nem que para isso tenha que se esforçar bebendo cerveja.

A ação direta do dia 22 foi muito mais organizada. Tomamos de assalto o antro da burguesia decadente, um ícone do imperialismo e do reacionarismo. Partimos, organizadamente e sem medo, para a frente onde o inimigo muito prometia e pouco resistiu: o Bolero.

Fato é que a Revolução, mesmo às portas, fracassou como movimento duradouro. Aprendamos com os erros e não desistamos, camaradas!

Ióssif Vissariónovich Djugashvíli

Tendência direitista do MEB se posiciona...

... de ladinho.

Veja como o grande guru é democrático. A tendência mais à Direita do MEB solicitou que sua mensagem também fosse disponibilizada neste espaço e, depois de uma rápida reunião (com inscrições de falas!!!), concordamos. Eis a nota Ipsis literis:

Boto Luxemburgo
Secretário Especial de Indumentária
Ex-Modelo, ex-sóbrio, ex-PSDB...

Como disse nosso camarada Ulisses amulhermedeixou Parola, só nós dois estivemos presentes nos dois atos deste final de semana. Digo a vós que além de ter sido um momento pró-revolução também foi algo hilário. Presenciei, pois, o camarada Ulisses afirmando ser um surfista de respeito (se cuida Kelly Slater) e também que usava havainas por ese motivo. Além disso ficou o tempo todo dizendo que havia levado um chute em suas nádegas (lamentável). Com relação aos bares fechados, me sinto satisfeito se meu nome for utilizado para nomes de ruas! Nosso objetivo agora é o Select (24 horas), sabemos, porém, que é uma missão dificil, mas pra quem já fechou os mais famigerados bares da cidade (SOB MEDIDA, BAR BOLERO, BAR AMÉRICA, BAR DO CAMARÃO, CANCELÃO, XADREZ E O BAR DAS TORCIDAS) nada é tão dificil que não possa ser superado.

Saudações mebianas!!!

Recebemos a informação que o grande e paternalista líder desse movimento se pronunciará em breve através de suas 37 assessoras de imprensa aprovados no teste do sofá.

terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

Pronunciamento das tendências

Apesar de coeso, alguns membros do MEB, numa clara demonstração de democracia dentro do movimento do gole anti-capitalista, emitiram opiniões acerca do comunicado oficial publicado ontem sobre a tentativa da tomada do poder.


Wladmir Palmeira
Secretário Adjunto do Comitê Central
Maior salário do MEB
Carro 8 válvulas

Gostaria de ressaltar o papel da vanguarda mebiana, formada por mim e por Marcus sóbeboumcopodeice Vinicius nos eventos desencadeados nesse final de semana histórico. Fomos os dois únicos integrantes do M.E.B. a estarem presentes nos dois atos. Como não sou personalista me vejo satisfeito com as construção de estátuas minhas em praça pública, sempre com um copo à mão, abdico, porém, da confecção de chaveiros e blusas com meu nome. O fechamento do famigerado Bar das Torcidas só vem mostrar a tendência atual da luta revolucionária mebiana. Nosso foco se vira contra os donos de bares opressores que tentam, por meio de cobranças abusivas, enfraquecer o movimento botequeiro. De hoje em diante temos como luta a expropriação do líquido sagrado das mãos desses donos de bares pequeno-burgueses. As preparações já estão sendo feitas, estamos apenas esperando a data exata (sempre mantida em segredo para desestimular ações contra-revolucionárias) em que o ciclo de Kondratiev se fecha para tomarmos o Select e as cervejas de assalto.

Toda cerveja aos sovietes!

"Tem que ter inscrição nas reuniões". =(


Babá
Secretário Internacional para Assuntos Aleatórios
Chefe de armas
Líder sinuqueiro carismático

Na sexta-feira, as condições subjetivas estavam dadas, a direção do movimento, apesar da falta de coesão entre os membros do conglomerado etílico-marxista, tomou o Palácio de Inverno... digo o Bar Bolero e num ato de extrema coragem e espírito revolucionário, dirigiu-se para o temido local conhecido pela alcunha de “Bar das Torcidas”. Mas fatos isolados não garantiram êxito ao levante. Tranqüiliza-me o fato de no sábado a vitória alcançada ter sido maior, mas faço a autocrítica de neste período importante da tomada de poder, estar covardemente tracionado pela patronal. Avante camaradas, a luta segue e o Select será implacável!

Acompanhem mais depoimentos aqui, já que eu não passo o dia todo à toa.

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

Aos poucos, à revolução, camaradas!

“Hoje é o dia da Revolução;
Não há ninguém nas ruas.
Você está sozinho, pronto
Pra sujar as mãos”.

Definitivamente o fim de semana (dias 22 e 23 de fevereiro de 2008 – guardem esta data), segundo um camarada que prefere não relevar sua embriagues, foi o período mais propício, desde outubro de 1917, para a Revolução. O ambiente insurgente estava completamente a favor do movimento de massas e a concentração aconteceu num antigo antro burguês da cidade: o clube de Xadrez. Hoje, pra lá de decadente, esse ambiente que já foi sede de associações burguesas e tradicional antro do CCC2 friburguense (Comando de Caça aos Comunistas Cachaceiros), antagonicamente, quase pariu a revolução socialista.

De posse de um bafo monumental e muita sede, os guerreiros vietcongues iniciaram os trabalhos às oito da noite (à luz de velas) colocando em pauta como seria regada a reunião. Depois de muita apreensão e alguns goles na TB (nossa patrocinadora oficial – EXPERIMENTE VOCÊ TAMBÉM), eis que o movimento revolucionário deu pinta de começar o levante exatamente como nos ensinaram os maiores teóricos da revolução: ao som de samba de roda.

Foi empolgante perceber as sutilezas do levante socialista. As condições – assim como as mulheres – estavam mais do que dadas. Os reacionários de plantão, em nenhum momento, perceberam que os fuzis, granadas de mão e garrafas de gin estavam sob as cervejas no freezer. Bastava, então, que os líquidos alucinógenos fossem consumidos em doses cavalares para que as lideranças previamente escolhidas tomassem em suas mãos a direção da Coluna que marcharia rumo ao parlamento burguês.

Por uma falha de conduta e disciplina de alguns camaradas (nada que um tiro não resolva) a marcha se dissolveu. Ao invés de marchar adiante rumo a “casa do poder”, alguns militantes preferiram marchar rumo ao Bar Bolero. Outros, por sua vez, marcharam para os prostíbulos, acampamentos hippies e bancos de praça. A Coluna que liderava o movimento defendia a tese de fechamento dos botecos como forma efetiva de se chegar calibrado ao poder. Dessa forma, iniciaram o processo pelos bares adjacentes ao clube e prosseguiram, de forma corajosa, ao Bar das Torcidas, em Olaria, famoso recinto de conglomeração revolucionária. Lá se deu a maior derrota da Coluna. Na esperança de tomar o balcão, nossos experientes guerreiros do socialismo AA sucumbiram à persistência da liderança do boteco. Perceberam tardiamente numa autocrítica que o negócio lá é complicado. Pra sair, rola um “boa tarde” pro dono do espaço.

Mas o movimento revolucionário mebiano é uma caixinha de cerveja. Não obstante ao desgaste ocorrido na madrugada de sexta para sábado, alguns persistentes guerreiros voltaram à luta. Armados com alguns Epoclers e sais de frutas, empreenderam grande frente de ataque ao bar. Eis que, para surpresa geral, não apenas o Bar das Torcidas, principal alvo da Coluna, foi fechado, mas outras inúmeras vitórias foram contabilizadas. Pela ordem: Finalizar a cerveja do Sob Medida, na Rua Portugal; fechar o América, o Camarão e o Cancelão, na Rua Monte Líbano; e por fim, sair vitorioso de Olaria.

Dessa forma, o MEB mostrou que é possível vencer e conclama as massas para um levante ainda maior, onde o alvo, desta vez, será o SELECT 24 horas, loja de conveniência do posto Shell.

À luta, camaradas! Só sairemos de lá com as portas cerradas.

E um abraço aos comercializantes da área de Jaconé e Saquerema.

Um beijo, bolivianas!

Comitê Central do MEB, fevereiro de 2008.

sábado, 16 de fevereiro de 2008

TB

MEB e Cachaça Terra Brazilis...
... "uma relação feita para durar".

Elaborada com matéria-prima da própria destilaria num processo de envelhecimento em tonéis de carvalho (atenção! carVAlho). Tem cor amadeirada e sabor suave. Graduação alcoólica 38%vol. Conteúdo 1000ml, vidro.

Dica MEB:
Servir em copos pequenos e próprios. Degustar suavemente; nunca num gole só. Proteger o líquido com um guardanapo na borda do copo caso não seja ingerido imediatamente

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

Novos

Aos novatos, não confundir.

É BOTEQUEIRA, de boteco!

Atualizações urgentes

Mediante as indagações, inalações e ingestões no boteco e a crescente necessidade de reformular o estatuto meberiano, a direção desse coletivo vem a público (munida de uma garrafa de tinto suave) propor acréscimos ao seu documento mestre.

Dessa forma, e conforme sugerido, há clara necessidade de adotarmos um hino ou uma música oficial. Muitas sugestões já chegaram a mesa diretora e como somos uma espécie nojenta e deveras esnobe, renegamos todas até que, num lapso de sobriedade, alguém atentou para a canção “Bebe, Negão”. Longe de ser unanimidade, a composição (bela, por sinal) é a mais aceita por enquanto.

Outras alterações dizem respeito à parte organizacional e as punições. É fato que alguns camaradas faltaram às reuniões ordinárias, ou seja, aquelas onde há registro de cartão de ponto (lembrai das sextas-feiras, pecadores). Como diria Stálin, “não há mal que a morte não resolva” e é, por isso, necessário estabelecer punições para que o processo revolucionário não caia em debandada. Este conselho aguarda sugestões de punições desde já.

Ao longo dos dias o Comitê Central do MEB (CCMEB) atualizará essa nova ferramenta de comunicação comunal com o objetivo de manter seus “filhos” sempre bem informados.

Saúde!

MOVIMENTO DA ESQUERDA BOTEQUEIRA
NOVA FRIBURGO – RIO DE JANEIRO – BRASIL – URSS


“O isopor é meu pastor e a cerveja não me faltará”
NEGÃO


Em 2007 as condições históricas foram dadas para o processo revolucionário que terá seu desfecho com o colapso final do capitalismo. A farsa da esquerda bonitona veio à tona, acirrando as contradições do atual modo de produção, bastando que uma vanguarda revolucionária tomasse em suas mãos o curso da História visando à construção do socialismo1 .

A primeira fase do processo revolucionário foi superada no dia 25 de agosto deste mesmo ano, quando, em reunião extraordinária, um grupo de revolucionários jogadores de pôquer definiu, de forma democrática – utilizando o princípio stalinista de aclamação e intimidação -, as diretrizes para elaboração de um movimento combativo pela cerveja e pela Revolução, formulando seu estatuto. O nascimento do Movimento da Esquerda Botequeira (MEB) deve-se ao árduo trabalho de formação realizada nos bares (ou melhor, nas bases) onde se decidiu que o lema da organização é, de forma irrevogável, a seguinte citação: “Tomar a cerveja e, eventualmente, o poder!2" .

Muitas foram as estratégias e táticas encontradas pelos revolucionários para tomar o poder: convulsão nos meios operários, lutas prolongadas no campo, foquismo etc. As vanguardas revolucionárias também oscilaram entre operários, camponeses, hippes, pseudos-punk-hardcores-anarquistas (demorei pacas para escrever isso) e até o movimento GLBTTSVHBB. Todos fracassaram de forma total e parcial na busca por seus objetivos. Nesse sentido o MEB identifica somente nos biriteiros de boteco a vanguarda do movimento revolucionário. Serão nos bares que começarão as agitações e as contestações.

As condições objetivas se deram com o aumento do valor atribuído à Skol nos bares da Rua Portugal (e arredores) e as contradições do sistema que se mostram cada vez mais evidentes como, por exemplo, nas antigas propagandas veiculadas pela Antarctica onde o Bussunda (in memorian) aparece pegando a Boa. Essa afronta aos biriteiros mais guerreiros, que tem de enfrentar a sorte com a mais variada gama de mocréias, criou as condições subjetivas necessárias à Revolução.

Dessa forma, o MEB se considera o único (único!) e verdadeiro (verdadeiro!) herdeiro das correntes marxista, leninista, gramsciano, trotskista, stalinista, maoista, castrista, luxemburguista, guevarista, titoista, caiopradojuniano, anarco-sindicalista e enxerga todos os outros movimentos que se dizem herdeiros das mesmas correntes como direitistas contra-revolucionários plagiadores com a intenção de desvirtuar tais doutrinas e semear a confusão entre as bases revolucionárias fazendo com que as cervejas esquentem.



ESTATUTO DO MOVIMENTO DA ESQUERDA BOTEQUEIRA


Capítulo I – Da entidade.

Art. 1º. – O Movimento da Esquerda Botequeira, doravante denominado simplesmente MEB, sociedade civil ilimitada, com fins etílicos, com sede em foro em qualquer boteco da cidade de Nova Friburgo (ou adjacências), é o órgão representativo e com plenos poderes delegados para inflamar e organizar o movimento de insurreição a partir da mesa de bar e, sobretudo, esquematizar o chopinho após a Revolução.

Parágrafo Primeiro – O MEB reconhece a figura de cachaceiros históricos e clássicos do movimento revolucionário brasileiro com únicas pendências à sobriedade momentânea destes.

Parágrafo Segundo – O MEB insere na categoria “botecos” os seguintes estabelecimentos: bares, pés-sujos, barraquinhas de estrada, barraquinhas de festas, barraquinhas de cachorro-quente, pés-inchados, biroscas, pharmácias e demais locais de consumo e estocagem de etílicos e derivados.

Parágrafo Terceiro – São símbolos do MEB:
a) A mesa do bar;
b) A garrafa;
c) A foice.

Parágrafo Quarto – São inimigos do MEB: o Imperialismo, o Capitalismo, o Direitismo, o Liberalismo, o Fascismo, o Nazismo, os e-mails em massa, a Mirian Leitão, e o Telecurso 2000, Adam Smith, Elisabeth II e o Eurico Miranda, Willian Bonner, Fátima Bernardes e os trigêmeos, Galvão Bueno, Sérgio Noronha, Wagner Montes, o ex-garoto propaganda das Casas Bahia e a língua inglesa (revolucionário conversa - filosofa - em russo, espanhol, português ou latim), Bill Gates, Bush (pai e filho), o Arnold Schwarzenegger e os modelos (ou aprendizes) (ad infinitum).

Art. 2º. – O MEB tem por objetivo organizar, informar e “rachar” conta no final da bebedeira.


Capítulo II – Dos Elementos da Entidade.

Art. 3º. – São elementos do MEB:
I – Seu patrimônio (??);
II – Camaradas de mesa.

Seção I – Do Patrimônio

Art. 4º. – O patrimônio (??) da entidade é constituído de qualquer objeto recebido ou auferido durante reuniões extraordinárias e/ou Assembléias Gerais, cujos rendimentos serão, se necessário e possível, revertidos em abatimentos das contas no boteco.

Seção II – Dos Camaradas de mesa

Art. 5º. – São considerados camaradas de mesa todos aqueles - convidados ou não - que concordarem em compartilhar a conta ao final do ritual etílico.

Art. 6º. – Os camaradas de mesa são terminantemente contrários à propriedade privada e à propriedade intelectual salvo à disposição em contrário no Art. 8º. do presente estatuto

Art. 7º. – São direitos dos camaradas de mesa:

a) Votar e ser votado em qualquer eleição que porventura surja no ambiente;
b) Ter acesso a copo, cadeira e um pequeno espaço para apoiar os cotovelos na mesa. Em caso de impossibilidade, a sarjeta será sempre um lugar acolhedor;
c) Utilizar-se do termo “foda-se” e “viva la revolución”, garantidos constitucionalmente, sempre que achar conveniente.


Art. 8º. – São deveres dos camaradas de mesa (essa é uma parte importante e deveras extensa, presumimos):

a) Lutar pelo fortalecimento do MEB;
b) Zelar pelo patrimônio (pelo menos o moral) da entidade;
c) Zelar para que a cerveja esteja sempre gelada e, de preferência, com “capô de fusca”. Na impossibilidade, beber de qualquer jeito;
d) Exercer com dedicação o espírito pinguço e, eventualmente, o esquerdismo revolucionário;
e) Abster-se de frescuras pequeno-burguesas;
f) Abster-se de convocar Reuniões Extraordinárias e/ou Assembléia regadas a bebidas de qualidade duvidosa, salvo por necessidade financeira comprovada (com visualização da carteira) ou com atestado de insuficiência financeira registrado em Cartório e em três vias;
g) Abster-se definitivamente de tomar guaraná com laranja (é o fim!);
h) Abster-se definitivamente de promover o consumo de biscoitos recheados doces nas reuniões, salvo por necessidade ou doação;
i) Encher a cara e promover debates de cunho político-social esquerdista em qualquer reduto cachacístico do Brasil;
j) Ter sua integridade furicoanal, preservada sendo, portanto, desrespeitado o lema de que “cu de bêbado não tem dono”. Tem sim senhor!;
k) Reconhecer como única propriedade privada o ânus-próprio (inclusive suas demais adjacências como A Prega Rainha);
l) Rejeitar a participação em qualquer reunião de pessoas como: sogras, partidários da Direita (ao menos que disfarcem), abstêmios, membros do AA e contra-revolucionários;
m) Rejeitar terminantemente a expressão “tira-gosto”, uma vez que quem bebe, bebe porque gosta de modo que não se deve retirar o gosto após a ingestão do sagrado líquido;
n) Jamais desperdiçar um só gole que seja de qualquer produto etílico - se o Santo quiser beber ele que sustente seu próprio vício!;
o) Cumprir - seja qual for - a promessa feita sob a mesa do boteco. Da venda da alma ou da irmã gostosa até o pagamento de um humilde amendoim afrodisíaco, cumpra-se!;
p) Jamais trair outro camarada de copo;
q) São todos cúmplices sem distinção de ato, fato ou motivo. Dessa forma a) um nunca entrega o outro e b) um sempre encoberta o outro;


Capítulo III – Dos princípios fundamentais.

Art. 9º. – São princípios fundamentais dos bêbados, semi-bêbados ou sonolentos em estado de transição do feudalismo para o capitalismo, digo, entre a sobriedade e a embriages:

a) Não ter princípio fundamental;
b) Negar tudo até a morte (ou até que acreditem);
c) Ter classe. Todo cachaceiro tem;
d) Não se arrepender, mas divertir-se com o fatídico;
e) Não trair, mas distrair-se;
f) Não mentir, mas omitir;
g) Não perdoar, vingar-se;
h) Prima não é parente;
i) Colega de bar não é companheiro. Companheiro é coisa de petista e de casal homossexual;
j) Não ter escrúpulos. Ser cafajeste;
k) A culpa nunca é do cachaceiro agente, sempre do cúmplice amigo ou do governo;
l) Se por uma breve falha de personalidade um ex-cachaceiro amigo seu, começar a namorar "sério", a namorada dele é homem;
m) Todo bêbado é revolucionário por se entender que somente a ingestão de bebida alcoólica é capaz de despertar o espírito e a coragem guerrilheira no cidadão que, automaticamente, passa a lutar contra o Sistema.


Capítulo IV – Da organização (grandes gargalhadas!) e funcionamento da entidade.

Art. 10º. – São instâncias do MEB:
a) Assembléia Geral;
b) Coordenações.


SEÇÃO I – Da Assembléia Geral

Art. 11º - A Assembléia Geral é a instância máxima de deliberação da entidade.

Art. 12º - A Assembléia Geral realiza-se:

a) Por iniciativa de, no mínimo, dois pinguços;
b) Por requisição de 1/10 dos presentes na mesa do bar na ocasião da discussão

Art. 13º - A Assembléia Geral realiza-se em mesa de bar previamente escolhido regada a cerveja, choppinho ou “quentes” e delibera com a presença de quem se dispuser a dividir a conta e “chorar” os 10% do garçom.

Art. 14º - São atribuições da Assembléia Geral:

a) Aprovar o regimento no bar e as diretrizes de como será o cachaçal;
b) Aprovar reforma no Estatuto pelo voto da maioria (votação executada de forma “democrática” e sem piedade com os derrotados);
c) Deliberar sobre casos omissos ao Estatuto.



Capítulo V – Das proibições e/ou punições.

Art. 15º. – É vedado aos membros do MEB ataques intempestivos que sejam interpretados (vixi, que bonito!) como boiolices, bichices, chiliques ou frescuras;

Art. 16º. – Um membro do MEB está terminantemente proibido de proferir comentários sobre a vida alheia de algum camarada ausente do boteco na ocasião. Simplificando: fofoca só combina com o sexo feminino; o sexo masculino apenas comenta.

Art. 17º. – A traição dos princípios do MEB será considerada pena capital.

Art. 18º. – Como pena para a traição, serão instituída na mesa do bar – e somente nela – punições que variam desde a proibição da degustação do líquido sagrado até a entoação d’A Internacional com todos os refrões de modo ritmado e com todo o respeito que o Hino merece.

Art. 19º. – Em caso de reincidência detectada por algum camarada não sóbrio, o traidor deverá ter na ponta da língua o Hino do Exército Vermelho que será, impreterivelmente, entoado sobre a mesa do boteco e em russo.

Art. 20º. – O traidor terá apenas dois direitos constituídos: a) Não ter direito e b) Não abusar do fato de não ter direito.


Capítulo VI – Das cachaças e das biritas.

Art. 21º. – Cachaceiro Revolucionário não toma uma. Quem toma uma é boiola;

Art. 22º. – Todo cachaceiro de esquerda é biriteiro e vice-versa.

Art. 23º. – É vetada toda e qualquer recriminação à barriga de cachaça do camarada cachaceiro. Barriga de cachaça não é barriga - é calo sexual.

Art. 24º. – VETADO!

Art. 25º. – Tudo é licito quando se está embriagado. Faça o que quiser, só não dê a bunda, camarada.


Capítulo VII – Das disposições finais e transitórias.

Art. 26º. – O presente Estatuto poderá ser reformado total ou parcialmente se for vontade da maioria dos bêbados revolucionários presentes ou se respingar cerveja e manchar o pergaminho.

Art. 27º. – Os membros do MEB não respondem, nem por si próprios, nem por terceiros, por qualquer eventual dano moral que este estatuto possa causar a imagem alheia.

Art. 28º. – O Estatuto entra em vigor imediatamente após o brinde.

Art. 29º. – Revogam-se todas as disposições contrárias, seja lá que raio isso possa significar.

Hasta la cerveza e la victoria siempre!

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1 Texto inescrupulosamente adaptado em alguns pontos ao do movimento co-irmão de copo “Esquerda Botequeira”. O termo “adaptado” foi a forma mais singela e culta que encontramos para designar plágio sem caráter com sutis alterações nas vírgulas, pontos e datas.
2 Lema também plagiado do movimento co-irmão supracitado.